set 05 2008
Marcelo Canellas premiado por García Marquez
A Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano entregou na última quarta-feira em Monterey, no México, prêmios a uma dezena de jornalistas que se destacaram na imprensa pelo trabalho de excelência. Entre os premiados, alguns brasileiros, como o repórter Marcelo Canellas, da Rede Globo, e a editora Benira Maia, de JC Online. Canellas foi laureado pelo mestre Gabriel García Marquez, um dos idealizadores da fundação. O prêmio foi dado pela série de reportagens sobre a Terra do Meio, veiculadas pela Globo há poucos meses.
O repórter, que abriu o ciclo de palestras da Escola Livre de Jornalismo em agosto e exibiu, inclusive, algumas dessas reportagens veiculadas no Bom Dia, Brasil, foi premiado junto com outros profissionais envolvidos na série sobre a Terra do Meio: Luiz Quilião, Fátima Baptista, Paulo Ferreira e Daniel Targueta.
Gabriel García Marquez fez algumas reflexões sobre o modelo de imprensa desenhado neste início de século, lamentando que poucas vezes se dá espaço para o bom jornalismo. Laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, autor de algumas das mais belas obras literárias do século 20, como Cem anos de solidão Gabo declarou que “sofre como um cachorro” por causa do jornalismo mal feito e mal escrito. Ele lamentou que, infelizmente, nos dias de hoje, a informação tem sido relegada a segundo plano e “foi derrotada” pelo poder e as grandes corporações.
Segundo reportagem publicada no El País, de 3 de setembro, o escritor disse que ainda leva na alma o jornalismo, apontando que a profissão ainda é a mais bela. Mas, desabafou: quando a cada manhã lê os jornais não o faz para ver o que dizem, mas para “ver o mal que disseram ou o bem que disseram”. “Cada manhã é um desastre e sofro como um cachorro. Encontro poucas reportagens que podem ser consideradas jóias e quando consigo, penso: Quem será esse caro”, comentou.
“Tenho a impressão de que aos jornalistas não é dado tempo para nada. Leio os jornais e acredito que não lhes deram tempo, fecharam (a edição) antes do tempo”, disse. Para Gabo, o jornal impresso é o que verdadeiramente sai da alma, porque o resto são máquinas, aparelhos, mas antes existia a vantagem de que o jornal era mais difícil de fazer e as máquinas não funcionavam tão rápido, porque havia tempo para fazer as coisas mais devagar”.
